Todos nós nascemos. Todos nós crescemos.
Muita gente anseia um lugar ao Sol. Ficam à espera que o Sol lhes queime as pestanas e lhes frite o cérebro - no caso de ainda o terem. Inicialmente gozam da plenitude de benefícios quase celestiais provenientes desta exposição repetida. Gradualmente os raios quentes - que de tanto viajarem no espaço a velocidade constante, ficam desejosos por um embate numa superfície - penetram na pele e começam a queimar, a queimar e a queimar. Olham e misteriosamente objectivam que esta mesma pele (ainda) não está vermelha. Perante factos, continuam a expor-se em posição de inércia - de papo para o ar - percebendo somente no final que a anergia lhes ruborizou a epiderme e que só resta hidratar e colocar toalhas de água fria para aliviar o ardor. Como se isto não bastasse, ainda chega alguém que se lembra de os cumprimentar com uma bela e suave pancadinha nas costas, activando vias de percepção álgica. É nessa altura que se dão conta da sua inconsciência, do estado de desadaptação puro a um mundo agreste, mas concomitantemente belo.
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